Posts Tagged ‘ecofeminismo’

Silent Spring

Julho 7, 2011

“A emergência de um consciência pública ecológica ao longo das décadas de 1950, 1960 e 1970 está relacionada com a crescente industrialização e consequente degradação dos ecossistemas. Em 1962, foi publicado o livro Silent Spring da bióloga norte-americana Rachel Carson considerado a principal fonte de inspiração do movimento ambientalista. Rachel documenta os efeitos dos pesticidas no ambiente, em particular nas aves e nos humanos. O livro tinha uma mensagem simples mas com enorme poder: a espécie humana e a natureza fazem parte de uma só realidade e aqueles que afirmam a possibilidade de separação e dominação defendem uma aventura sem sentido e destrutiva que acontece em nome da racionalidade científica e económica. Esta mensagem veio de uma mulher que também era cientista, o que foi utilizado como argumento para defender o monopólio masculino da racionalidade. Rachel Carson foi acusada de ser uma mulher histérica, cujas observações sobre os perigos dos pesticidas na saúde humana e do ambiente não tinham fiabilidade. [1] Quando em 1972 o DDT, um pesticida pouco dispendioso e altamente eficiente, foi proibido nos Estados Unidos da América em virtude de Rachel ter demonstrado os seus efeitos prejudiciais para a saúde humana,[2] tornou-se imperioso teorizar a questão do género na sua relação com a produção científica e com a degradação do meio ambiente.”


[1] Barca, Stefania – “Scienza, genere e storia” in Contemporanea / a. XI, n. 2, Aprile 2008: pp 333-342. Acessível em: http://www.ces.uc.pt/myces/UserFiles/livros/648_Scienza,%20genere%20e%20storia%20ambientale.pdf

[2] S.A. – http://pt.wikipedia.org/wiki/DDT – Último acesso em 10/06/2011

Ecofeminismo

Ana Mateus

A propósito do livro Silent Spring realizar-se-á um ciclo de conferências na  Gulbenkien  subordinado ao tema: Ambiente. Porquê ler os clássicos?

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Ecofeminismo

Julho 4, 2011


As ecofeministas estabeleceram a relação entre o «domínio sobre as mulheres», que prevalece nas sociedades patriarcais, e o «domínio sobre a natureza», moldado desde o século XVI pela «ordem científica hegemónica». […]

No modelo de desenvolvimento Ocidental, moldado desde o século XVI pela revolução científica, é dominante a noção de que a cultura é superior à natureza que reclama «dominar e civilizar». Este modelo de desenvolvimento incrementou-se numa sociedade do tipo patriarcal que considera o homem superior à mulher. Os distintos contextos históricos revestem estas noções de características específicas e sempre em mutação, não obstante destes factores temporais e espaciais, a cultura foi associada ao masculino, o elemento racional, e a natureza ao feminino, o caos. A construção das identidades faz-se de forma uniformizadora, dualista e hierárquica; ao homem é atribuído o papel de sujeito activo e à mulher o de objecto passivo. […]

Mais do que tentar superar esta dicotomia hierárquica, muitas mulheres, pura e simplesmente, enfrentaram-na e assim, as mulheres são consideradas superiores aos homens, a natureza à cultura, etc. Mas a estrutura básica da visão do mundo permanece, bem como a relação basicamente antagonista que existe, à superfície, entre as duas partes divididas e ordenadas hierarquicamente. Dado que esta visão do mundo considera o «outro», o «objecto» não apenas diferente, mas o «inimigo»; como afirma Sartre no seu Huis Clo: o Inferno são os outros! Na luta daí resultante, uma parte irá finalmente sobreviver, subordinando e apropriando-se da «outra». [1] […]

Segundo, o Dicionário de Crítica Feminista, existem três elementos presentes nas definições parciais de ecofeminismo: a consciência da repressão exercida sobre as mulheres e sobre a natureza; ser um movimento activista que inicia e apoia estratégias para a sua libertação conjunta; e estar empenhado numa análise (crítica) da dimensão desta repressão bem como da razão de ser da sua ligação com o activismo.[2][…]

A destruição da natureza, a base do sistema global onde vivemos, aproxima-se do ponto de não retorno. Construir conhecimento segundo uma postura epistemológica ecofeminista significa contribuir com o estudo das variáveis que moldam os eixos de dominação para apurar de que forma essas variáveis se inter-relacionam e como, quando, onde, porquê, constituem eixos de dominação.[…]

A emergência subversiva das mulheres no espaço «guerreiro» e «hiper-machista», é uma tentativa de nos aproximarmos de nós mesmos enquanto seres humanos. Valerie Solanas descreve este processo de forma visceral ao conceber “o abandono do poder masculino, de todo o poder sobre outrem”[3]. Ela impele-nos a agir.

[1] Mies, Maria e Shiva, Vandana – Ecofeminismo, Lisboa, Instituto Piaget, 1997, p. 14 e segs

[2] Macedo, Ana Gabriela e Amaral, Ana Luísa -Dicionário da crítica Feminista , Porto, Edições Afrontamento, 2005, p.47

[3] Solanas, Valerie – Manifesto da SCUM, Lisboa, Fenda Edições, 2001, p.45

Ana Mateus

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Maio 13, 2011