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Ecofeminismo

Julho 4, 2011


As ecofeministas estabeleceram a relação entre o «domínio sobre as mulheres», que prevalece nas sociedades patriarcais, e o «domínio sobre a natureza», moldado desde o século XVI pela «ordem científica hegemónica». […]

No modelo de desenvolvimento Ocidental, moldado desde o século XVI pela revolução científica, é dominante a noção de que a cultura é superior à natureza que reclama «dominar e civilizar». Este modelo de desenvolvimento incrementou-se numa sociedade do tipo patriarcal que considera o homem superior à mulher. Os distintos contextos históricos revestem estas noções de características específicas e sempre em mutação, não obstante destes factores temporais e espaciais, a cultura foi associada ao masculino, o elemento racional, e a natureza ao feminino, o caos. A construção das identidades faz-se de forma uniformizadora, dualista e hierárquica; ao homem é atribuído o papel de sujeito activo e à mulher o de objecto passivo. […]

Mais do que tentar superar esta dicotomia hierárquica, muitas mulheres, pura e simplesmente, enfrentaram-na e assim, as mulheres são consideradas superiores aos homens, a natureza à cultura, etc. Mas a estrutura básica da visão do mundo permanece, bem como a relação basicamente antagonista que existe, à superfície, entre as duas partes divididas e ordenadas hierarquicamente. Dado que esta visão do mundo considera o «outro», o «objecto» não apenas diferente, mas o «inimigo»; como afirma Sartre no seu Huis Clo: o Inferno são os outros! Na luta daí resultante, uma parte irá finalmente sobreviver, subordinando e apropriando-se da «outra». [1] […]

Segundo, o Dicionário de Crítica Feminista, existem três elementos presentes nas definições parciais de ecofeminismo: a consciência da repressão exercida sobre as mulheres e sobre a natureza; ser um movimento activista que inicia e apoia estratégias para a sua libertação conjunta; e estar empenhado numa análise (crítica) da dimensão desta repressão bem como da razão de ser da sua ligação com o activismo.[2][…]

A destruição da natureza, a base do sistema global onde vivemos, aproxima-se do ponto de não retorno. Construir conhecimento segundo uma postura epistemológica ecofeminista significa contribuir com o estudo das variáveis que moldam os eixos de dominação para apurar de que forma essas variáveis se inter-relacionam e como, quando, onde, porquê, constituem eixos de dominação.[…]

A emergência subversiva das mulheres no espaço «guerreiro» e «hiper-machista», é uma tentativa de nos aproximarmos de nós mesmos enquanto seres humanos. Valerie Solanas descreve este processo de forma visceral ao conceber “o abandono do poder masculino, de todo o poder sobre outrem”[3]. Ela impele-nos a agir.

[1] Mies, Maria e Shiva, Vandana – Ecofeminismo, Lisboa, Instituto Piaget, 1997, p. 14 e segs

[2] Macedo, Ana Gabriela e Amaral, Ana Luísa -Dicionário da crítica Feminista , Porto, Edições Afrontamento, 2005, p.47

[3] Solanas, Valerie – Manifesto da SCUM, Lisboa, Fenda Edições, 2001, p.45

Ana Mateus

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