Posts Tagged ‘ambiente’

Landscape Control

Julho 14, 2011

Por sugestão do “índice de recursos on e off line sobre fotografia contemporânea, […] organizada por Cláudia Cardoso e Inês Abreu e Silva” disponível em lejournaldelamaison.com.pt > Paisagens/Topogr. :

– Edward Burtynsky :

“Nature transformed through industry is a predominant theme in my work. I set course to intersect with a contemporary view of the great ages of man; from stone, to minerals, oil, transportation, silicon, and so on. To make these ideas visible I search for subjects that are rich in detail and scale yet open in their meaning. Recycling yards, mine tailings, quarries and refineries are all places that are outside of our normal experience, yet we partake of their output on a daily basis.

These images are meant as metaphors to the dilemma of our modern existence; they search for a dialogue between attraction and repulsion, seduction and fear. We are drawn by desire – a chance at good living, yet we are consciously or unconsciously aware that the world is suffering for our success. Our dependence on nature to provide the materials for our consumption and our concern for the health of our planet sets us into an uneasy contradiction. For me, these images function as reflecting pools of our times.”

edwardburtynsky.com

– David Maisel :

“David Maisel’s large-scaled, otherworldly photographs chronicle the complex relationships between natural systems and human intervention, piecing together the fractured logic that informs them both.”

davidmaisel.com

 

Silent Spring

Julho 7, 2011

“A emergência de um consciência pública ecológica ao longo das décadas de 1950, 1960 e 1970 está relacionada com a crescente industrialização e consequente degradação dos ecossistemas. Em 1962, foi publicado o livro Silent Spring da bióloga norte-americana Rachel Carson considerado a principal fonte de inspiração do movimento ambientalista. Rachel documenta os efeitos dos pesticidas no ambiente, em particular nas aves e nos humanos. O livro tinha uma mensagem simples mas com enorme poder: a espécie humana e a natureza fazem parte de uma só realidade e aqueles que afirmam a possibilidade de separação e dominação defendem uma aventura sem sentido e destrutiva que acontece em nome da racionalidade científica e económica. Esta mensagem veio de uma mulher que também era cientista, o que foi utilizado como argumento para defender o monopólio masculino da racionalidade. Rachel Carson foi acusada de ser uma mulher histérica, cujas observações sobre os perigos dos pesticidas na saúde humana e do ambiente não tinham fiabilidade. [1] Quando em 1972 o DDT, um pesticida pouco dispendioso e altamente eficiente, foi proibido nos Estados Unidos da América em virtude de Rachel ter demonstrado os seus efeitos prejudiciais para a saúde humana,[2] tornou-se imperioso teorizar a questão do género na sua relação com a produção científica e com a degradação do meio ambiente.”


[1] Barca, Stefania – “Scienza, genere e storia” in Contemporanea / a. XI, n. 2, Aprile 2008: pp 333-342. Acessível em: http://www.ces.uc.pt/myces/UserFiles/livros/648_Scienza,%20genere%20e%20storia%20ambientale.pdf

[2] S.A. – http://pt.wikipedia.org/wiki/DDT – Último acesso em 10/06/2011

Ecofeminismo

Ana Mateus

A propósito do livro Silent Spring realizar-se-á um ciclo de conferências na  Gulbenkien  subordinado ao tema: Ambiente. Porquê ler os clássicos?

Esta joia da arquitectura popular

Maio 9, 2011

[…]

Então, como não os deixam consertar os palheiros, como não podem viver na rua e como não têm dinheiro para as construções exigidas, aceitam, da Câmara de Mira, em troca do pequeno chão e das ruínas das casas, um pedaço de terra, sempre maior, situado a norte do medo grande. Este lugar, aberto para norte e separado da praia apenas por um cordão de dunas, é varrido pelas areias impelidas pelo ventos mareiros e pelas nortadas dominantes.

Se os autores do plano de urbanização se tivessem dado ao cuidado de observar a povoação espontânea e nela permanecessem tempo bastante para apanharem um dia de temporal, veriam quanto o abrigo do medo foi essencial para a localização do lugar e não teriam cometido o absurdo de colocarem a população de residência permanente no sector mais desabrigado que nesta área se poderia encontrar. Aí vão construir casas insípidas de tijolos e de cimento com plantas quase sempre iguais para servir a mesma, e ficar, portanto, mais barata.

[…]

A pitoresca aglomeração de pescadores que ainda é hoje Palheiros de Mira desaparecerá brevemente. No seu lugar levantar-se-ão banais blocos de cimento de dois e mais andares e moradias de veraneantes, a maior parte das vezes de péssimo gosto. A elas se sacrificam a população permanente, isto é, o elemento produtivo desta aglomeração, quando seria razoável deixar os pescadores no lugar escolhido pelos seus antepassados e planear um estabelecimento temporário de veraneantes em qualquer outro sítio do imenso areal despovoado.

[…]

Tudo isso se poderia fazer sem sacrificar uma população de gente de trabalho aí enraizada há um século, em benefício de futuros veraneantes endinheirados.

[…]

Raquel Soeiro de Brito

Palheiros de Mira: Formação e Declínio de um Aglomerado de Pescadores

1960